sexta-feira, 18 de agosto de 2017

"A irreversibilidade do tempo" (...) 389


A irreversibilidade torna-se real sobretudo pela qualidade subjacente porque lhe está implícita e que acontece pelo simples motivo de não puder reverter.

Porquanto, é considerado como “tempo já passado”, algo consumado, que a irreversibilidade converteu.

Embora não se manifeste claramente, subentende-se que o que passou pertence ao “tempo passado”, impossível de reverter uma certa situação A para B.

O tempo tem um percurso vertiginoso, desenvolve-se na circularidade em seu trajecto, é gradual, constante e interminável no seu percurso (…).

Porque nunca "para", fazendo com que a irreversibilidade consuma todo o “espaço temporal”.

Sendo que os momentos terminam por consequência da passagem do tempo que leva consigo já o seu elemento radical, que é a irreversibilidade.

Para exemplo: Admitindo que o dia de hoje dezoito de Agosto de dois mil e dezassete, a hora, minutos e segundos X, é um momento irrepetível.

Que a irreversibilidade já sancionou este momento por “não puder voltar atrás no tempo”.

Acontece que para efeitos cronológicos devem existir registos, que são obrigatórios para dar determinada informação que fique a constar para memória futura.

Como por exemplo:  a celebração de escritura pública, a favor de A ou B, determinada propriedade, imóvel etc.

É relevante esta descrição cronológica, a que se refere a um facto concreto, em que os pressupostos inevitavelmente devem constar, nomeadamente os intervenientes e o facto em si bem como o local e a hora “TMG”.

Assim, é um procedimento universal que se pratica na globalidade do espaço em que estamos inseridos, o “sem número” de ocorrências do grande universo de situações.

Que devem ser referidas na especificidade e registadas em lugar próprio.

Nesta conformidade, sabemos que a “irreversibilidade” tem a função de tornar radical e converter o momento, para algo que (…), já não é possível “voltar atrás”.

O "tempo destrói tudo", o bom e o mau, é nesta base que a irreversibilidade ocupa o seu lugar primordial.

Para sancionar determinado momento reprovável, no entanto, não deixa de constar nos anais da história algo que se passou (...).

É difícil a compreensão "sobre o tempo" relativamente sobre esse tempo que nos "escraviza".

Se estamos a esperar por alguém, ou se pelo desencontro ainda é pior, ou não, mas é o tempo também quem propicia, a harmonia, o amor, a felicidade.

Sobretudo porque é o tempo, que parece mais que uma "abstracção", contudo é concreto, nas “coisas concretas" por se revela, porquanto está sempre presente.

São estas divagações sobre o tempo para referir que é uma "grandeza" incomensurável, a sua cumplicidade é um facto indesmentível em que a humanidade desde sempre se mantém ligado.

Na expectativa de puder deixar mais algumas considerações sobre
o nosso tema a "irreversibilidade do tempo". António Cardoso.

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